A partir desta semana, as atenções vão estar voltadas para as ações no trânsito em todo o Estado de Amapá com mais uma edição do Movimento Maio Amarelo. O tema deste ano é “No trânsito, o sentido é a vida”.

A campanha será lançada oficialmente na próxima quinta-feira, 2, pelo Departamento de Trânsito do Amapá, em parceria com a Companhia de Trânsito e Transportes de Macapá (CTMac), batalhões de trânsito da Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, entre outras instituições. A novidade deste ano é que o movimento vai chegar a todos os municípios amapaenses.

A proposta é envolver diretamente a sociedade nas ações, promovendo uma reflexão sobre uma nova realidade de encarar a mobilidade urbana. O objetivo é conscientizar todos os condutores, passageiros e pedestres, a buscarem a paz no trânsito.

O Movimento

Esta é uma ação mundial e tem como objetivo levantar o debate sobre a responsabilidade de cada um em relação a um trânsito mais seguro e com menos acidentes e mortes. Estima-se que, anualmente, quase 40 mil brasileiros têm sua vida perdida devido a acidentes de trânsito, fora as famílias que são destruídas em decorrência destes acidentes.

O Maio Amarelo surgiu em 2014 criada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária. Hoje, ele já está inserido em todos os estados brasileiros, outros países da América e de outros continentes. Segundo diretrizes da ONU (Organização das Nações Unidas), de 2011 a 2020, participaremos da Década de Ações para a Segurança no Trânsito.

Programação

A programação do Maio Amarelo no Amapá será extensa e vai envolver abordagens educativas no trânsito, bares e restaurantes; simulação de acidentes; palestras em escolas públicas e universidades. O diretor geral do Detran/Amapá, Inacio Maciel, disse que a ideia é discutir o assunto e definir estratégias para reduzir acidentes e mortes no trânsito. “Na simulação de acidente, queremos impactar a sociedade e fazer o chamamento para discutir o problema”, observou.

Ele acredita que as ações educativas voltadas ao conjunto da sociedade é uma das alternativas para alcançar a redução do número de acidentes. “A educação é primordial para transformar essa situação que vivemos hoje nas ruas de todo o Brasil”, afirmou.

Álcool e direção

Ao todo, 7,7% dos motoristas de Macapá afirmaram que conduzem veículos motorizados sobre o efeito de álcool. É o que constatou a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, de 2017. Analisando desde 2011, quando foi pontuado o índice de 8,9%, a frequência do hábito se mantém estável. As oscilações entre os anos não permitem dizer que houve aumento. No Brasil, esse comportamento, no mesmo período, teve aumento de 16%.

O Vigitel é uma pesquisa realizada em todas as capitais do país, por telefone, com adultos maiores de 18 anos. Em Macapá, foram entrevistadas 1.439 pessoas entre fevereiro a dezembro de 2017. Dessas 559 eram homens e 880 mulheres.

Na capital do Amapá, os homens ainda são os que mais se arriscam no estado. Dentro desse último índice representam 12,4% da população, enquanto as mulheres 3,2%. Quando analisado o Brasil no mesmo ano, o fato não muda, os homens representam 11,7% enquanto que as mulheres são 2,5%.

Óbitos por acidente de trânsito

O Amapá tem uma frota de 198.663 veículos. A capital concentra a maioria dessa frota com 155.074 veículos.  Os números de mortes por acidentes de trânsito no Amapá subiram em 6,6%, entre os anos de 2008 e 2016. O Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde registrou 91 óbitos por essa causa, em 2016, dados apontam alta para 97 casos.

Em 2012, 124 pessoas morreram vítimas de acidentes no trânsito. Comparado a 2017, a frequência caiu em 21,8%. No Brasil, percebe-se que esse número de mortes caiu em apenas 2,4%. Em 2008, foram registrados 38.273 óbitos, enquanto que em 2016 apontam a queda para 37.345 casos. A redução comparada a 2012 é maior, sobe para 16,7%, nesse ano 44.812 pessoas morreram vítimas de acidentes no trânsito.

Internações

O número de internações, ao contrário do de óbitos, cresceu em todo o país. No Amapá, o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) mostra que 374 pessoas foram internadas devido a acidentes de trânsito em 2009. Esse quantitativo subiu em aproximadamente 69,3% em 2016, quando foram registradas 633 internações. Os gastos com esses atendimentos de saúde passaram de R$ 266 mil para R$ 493 mil, nesse período.

No Brasil, em 2009, a pasta registrou 125.060 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo condutores, passageiros e pedestres que haviam se acidentado no trânsito. Em 2016, 178.974 pessoas foram internadas e tratadas, um percentual 43,1% superior ao primeiro ano da lei seca. O valor gasto em 2016 foi de R$ 252,7 milhões.

Reflexos

O reflexo da violência no trânsito amapaense é notório no setor de trauma do Hospital de Emergências de Macapá. O espaço vive superlotado de vítimas de acidentes de trânsito.

A Unidade de Pronto Atendimento 24 horas – UPA Zona Sul – não possui setor de trauma. Pacientes, vítimas de acidentes de trânsito, quando chegam à unidade, recebem os primeiros socorros, são estabilizados e encaminhados ao Hospital de Emergências.